Salvar a família

fev 1, 2012 by

A lista vai longe: família sem pai, sem mãe, sem irmãos ou com outro pai, outra mãe e outros irmãos. Nossa cultura exige direitos pessoais e muitas vezes não quer o casamento, não quer filhos, não quer o idoso, não quer a fidelidade e não quer a família. Confundimos direitos individuais com os direitos do matrimônio.
É preciso salvar a família para o bem pessoal, comunitário e social da sociedade. O sucesso da família depende da qualidade de relacionamento entre os esposos. O foco da família é a boa comunicação do casal. Ali está o alicerce. Hoje, estamos desfocados. Colocamos o enfoque principal nos filhos, quando na verdade o foco principal é o casal. O casamento consiste na relação saudável das pessoas: esposos e filhos.
O casamento começa com um “divórcio”: deixarás pai e mãe. Quem se casa precisa de liberdade, autonomia e desapego dos pais. O apego e dependência afetiva dos pais é imaturidade e prejudica o casamento. Amizade sim, dependência não. Os pais devem permitir e facilitar a saída dos filhos de casa e deixá-los livres para formar nova família.
O casamento é para o crescimento das pessoas em todos os níveis: humano, social, espiritual. Casamento é para a salvação e santificação. O outro é para me enriquecer, aperfeiçoar, curar. O cônjuge é um grande mestre e amigo. Cônjuge é para conjugar e carregar juntos o jugo um do outro. Casar-se com o outro é casar com seu coração, sua alma, seus pensamentos, seus defeitos, suas limitações. Isso significa ser “uma só carne”. Casamento é comunhão de pessoas. Daí a necessidade de acordos, de flexibilidade, de diálogo para a busca de soluções, evitando as acomodações.
Na vida em família, é preciso investir na terapia da palavra, no poder da palavra, na benção que é a palavra. No ato de falar, as pessoas se reorganizam a si mesmas, desabafam e encontram soluções. O cônjuge é melhor terapeuta. As cinco palavras mais difíceis são:
“Perdoe-me, eu estava errado”. São, porém, cinco palavras que mais salvam os casamentos. Pedir perdão não é humilhação – é ato de nobreza e de sabedoria. Quem perdoa dá um novo significado ao ato errado, à ofensa, e livra-se da “compulsão da repetição”. Quem não perdoa fica repetindo o erro e ferindo. Perdão traz cura e libertação.
O bom uso da palavra significa: elogiar, agradecer, consolar e corrigir com jeito amoroso. A palavra transforma tragédias em harmonia, facilita o bom humor e as oportunidades do lazer. A palavra desfaz tensões e crises, evita culpar, julgar e zombar do outro. Uma das piores feridas do casamento é a indiferença. Dói mais que uma bofetada. A indiferença gela, mata, destrói. O remédio para este mal mortal é a palavra, o diálogo. È errado culpar os outros por nossas emoções. Os responsáveis por nossas emoções somos nós mesmos. Aceitar esta verdade é uma boa solução para a felicidade conjugal e familiar. Dialogando, organizamos nossas emoções e as assumindo. Sem diálogo, o lar é um inferno gelado onde somos vítimas e algozes.

DOM ORLANDO BRANDES,administrador diocesano de Joinville e arcebispo eleito para Londrina (PR).

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